THE CROSSING TIME
Edição nº 124 · Entrevista exclusiva · PouvoirÉdition nº 124 · Entretien exclusif · PouvoirIssue no. 124 · Exclusive interview · Pouvoir
Entrevista exclusivaEntretien exclusifExclusive interview
Brasil · Democracia & JustiçaBrésil · Démocratie & JusticeBrazil · Democracy & Justice

De Paris ao Planalto: um dos maiores criminalistas do país analisa a crise democrática no BrasilDe Paris au pouvoir : l'un des plus grands pénalistes du Brésil analyse la crise démocratiqueFrom Paris to the Planalto: one of the country's greatest criminal lawyers analyzes Brazil's democratic crisis

No apartamento em frente ao Café de Flore, o advogado Kakay fala à THE CROSSING TIME sobre o 8 de Janeiro, o Judiciário, a Lava Jato, a prisão dos poderosos e o seu palpite para as eleições de outubro.Dans son appartement face au Café de Flore, l'avocat Kakay parle à THE CROSSING TIME du 8 janvier, de la Justice, du Lava Jato, de la prison des puissants et de son pronostic pour octobre.In his apartment facing the Café de Flore, the lawyer Kakay talks to THE CROSSING TIME about January 8, the Judiciary, Lava Jato, the imprisonment of the powerful, and his bet for the October elections.
Kakay em seu apartamento em Saint-Germain-des-Prés, com a escultura do leão alado. Foto: Yan Gabriel / THE CROSSING TIME.Kakay dans son appartement de Saint-Germain-des-Prés, avec la sculpture du lion ailé. Photo : Yan Gabriel / THE CROSSING TIME.Kakay in his apartment in Saint-Germain-des-Prés, with the winged lion sculpture. Photo: Yan Gabriel / THE CROSSING TIME.
MP
Maria Paula CarvalhoMaria Paula CarvalhoMaria Paula CarvalhoAssina a entrevista, feita em ParisSigne l'entretien, réalisé à ParisSigns the interview, conducted in Paris
Segunda-feira, 25 de agosto de 2026Lundi, 25 août 2026Monday, 25 August 2026 Paris · Saint-Germain-des-PrésParis · Saint-Germain-des-PrésParis · Saint-Germain-des-Prés Tempo de leitura: 9 minTemps de lecture : 9 minReading time: 9 min

Foi em seu apartamento em Paris, num endereço mítico de Saint-Germain-des-Prés, que o criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, recebeu a THE CROSSING TIME. Em quase 40 anos de carreira, o advogado já representou algumas das mais altas autoridades brasileiras perante a Justiça, e costuma passar temporadas na capital francesa, onde diz se sentir em casa. Da varanda, de frente para o célebre Café de Flore, ele observa o Brasil com uma nova perspectiva: analisou o Judiciário, arriscou palpites sobre as eleições e declarou seu amor à França, sem esconder uma enorme decepção com os Estados Unidos.C'est dans son appartement parisien, à une adresse mythique de Saint-Germain-des-Prés, que le pénaliste Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay, a reçu THE CROSSING TIME. En près de 40 ans de carrière, l'avocat a représenté certaines des plus hautes autorités brésiliennes devant la Justice, et passe régulièrement des séjours dans la capitale française, où il dit se sentir chez lui. De son balcon, face au célèbre Café de Flore, il observe le Brésil sous un angle nouveau : il a analysé la Justice, avancé des pronostics sur les élections et déclaré son amour à la France, sans cacher une immense déception à l'égard des États-Unis.It was in his Paris apartment, at a mythical address in Saint-Germain-des-Prés, that the criminal lawyer Antônio Carlos de Almeida Castro, known as Kakay, welcomed THE CROSSING TIME. In almost 40 years of practice, the lawyer has represented some of Brazil's highest authorities before the courts, and he regularly spends stretches of time in the French capital, where he says he feels at home. From the balcony, facing the celebrated Café de Flore, he observes Brazil with a new perspective: he analyzed the Judiciary, ventured bets on the elections, and declared his love for France, without hiding an enormous disappointment with the United States.

Nascido em Patos de Minas, Kakay sempre teve "uma certa fixação" por Paris. Fundado nos anos 1880, o Café de Flore foi um dos grandes polos da vida intelectual parisiense, de Apollinaire a Sartre e Simone de Beauvoir. Kakay aponta outra inspiração: "Eu sou cria, como advogado, do José Carlos Dias, que trabalhou muito na época da ditadura. Ele atendia exilados políticos aqui no Flore, que fica exatamente debaixo da minha casa." Recentemente, o advogado lançou o livro A Arte dos Encontros nos Cafés de Paris. "Eu me sinto muito à vontade aqui. Comprei este apartamento há uns 15 anos. Venho para pensar; fiz análise em Paris durante um período. É uma cidade que me acolhe."Né à Patos de Minas, Kakay a toujours eu « une certaine fixation » pour Paris. Fondé dans les années 1880, le Café de Flore fut l'un des grands foyers de la vie intellectuelle parisienne, d'Apollinaire à Sartre et Simone de Beauvoir. Kakay revendique une autre filiation : « Comme avocat, je suis un fils de José Carlos Dias, qui a beaucoup œuvré sous la dictature. Il recevait des exilés politiques ici, au Flore, juste en bas de chez moi. » L'avocat vient de publier le livre A Arte dos Encontros nos Cafés de Paris. « Je me sens très à l'aise ici. J'ai acheté cet appartement il y a une quinzaine d'années. Je viens pour penser ; j'ai fait une analyse à Paris pendant un temps. C'est une ville qui m'accueille. »Born in Patos de Minas, Kakay always had "a certain fixation" with Paris. Founded in the 1880s, the Café de Flore was one of the great hubs of Parisian intellectual life, from Apollinaire to Sartre and Simone de Beauvoir. Kakay points to another inspiration: "As a lawyer, I am a product of José Carlos Dias, who worked hard during the dictatorship years. He met political exiles here at the Flore, which sits exactly below my home." The lawyer recently released the book A Arte dos Encontros nos Cafés de Paris (The Art of Encounters in the Cafés of Paris). "I feel very much at ease here. I bought this apartment about 15 years ago. I come here to think; I was in analysis in Paris for a period. It is a city that welcomes me."

Kakay com o livro A Arte dos Encontros nos Cafés de Paris, em seu apartamento. Foto: Yan Gabriel / THE CROSSING TIME.Kakay avec le livre A Arte dos Encontros nos Cafés de Paris, dans son appartement. Photo : Yan Gabriel / THE CROSSING TIME.Kakay with the book A Arte dos Encontros nos Cafés de Paris, in his apartment. Photo: Yan Gabriel / THE CROSSING TIME.
1 · O Brasil visto de longe1 · Le Brésil vu de loin1 · Brazil seen from afar

"Vi a debacle da hegemonia americana"« J'ai vu l'effondrement de l'hégémonie américaine »"I watched the collapse of American hegemony"

Para Kakay, o Brasil vive um período crucial de defesa da democracia. "É só comparar com o 8 de janeiro de 2023, quando houve a tentativa real de golpe. Enquanto nos Estados Unidos o fascista do Trump se elegeu e perdoou todos que tentaram a manobra no Capitólio, no Brasil houve um enfrentamento sério, um processo público que o país inteiro acompanhou. O mundo inteiro acompanhou", afirma. "Eu não imaginava que fosse ver a debacle da hegemonia americana. Os Estados Unidos, hoje, são um país que está caindo pelas tabelas, violento e desgovernado."Pour Kakay, le Brésil vit une période cruciale de défense de la démocratie. « Il suffit de comparer avec le 8 janvier 2023, quand il y a eu une vraie tentative de coup d'État. Alors qu'aux États-Unis le fasciste Trump s'est fait élire et a gracié tous ceux qui avaient tenté la manœuvre au Capitole, au Brésil il y a eu une véritable confrontation, un procès public que le pays entier a suivi. Le monde entier a suivi », affirme-t-il. « Je n'imaginais pas voir l'effondrement de l'hégémonie américaine. Les États-Unis, aujourd'hui, sont un pays en chute libre, violent et sans gouvernail. »For Kakay, Brazil is living through a crucial period in the defense of democracy. "Just compare it with January 8, 2023, when there was a real coup attempt. While in the United States Trump, that fascist, got elected and pardoned everyone who attempted the maneuver at the Capitol, in Brazil there was a serious confrontation, a public trial the whole country followed. The whole world followed," he says. "I never imagined I would watch the collapse of American hegemony. The United States, today, is a country falling apart, violent and ungoverned."

Ele não poupa Donald Trump: "Um homem que, presidindo um país com a potência dos Estados Unidos, descumpre todas as regras. Para ele não existe tratado internacional, não existe Direito Internacional. No Brasil, não: por mais difícil que seja, o enfrentamento se faz dentro da estrutura do Estado Democrático de Direito." E resume os anos anteriores: "Passamos por quatro anos de um regime de viés fascista. O Bolsonaro destruiu conquistas humanistas, na saúde, na educação, na arte. E, logo depois, uma tentativa de golpe, diante de um dos piores Congressos da história. Por incrível que pareça, quem colocou o pé na porta foi o poder mais reacionário: o Judiciário."Il n'épargne pas Donald Trump : « Un homme qui, à la tête d'un pays de la puissance des États-Unis, viole toutes les règles. Pour lui, il n'existe ni traité international ni droit international. Au Brésil, non : aussi difficile que ce soit, l'affrontement se joue dans le cadre de l'État de droit démocratique. » Et il résume les années précédentes : « Nous avons traversé quatre ans d'un régime à tendance fasciste. Bolsonaro a détruit des acquis humanistes, santé, éducation, culture. Puis une tentative de coup d'État, face à l'un des pires Congrès de l'histoire. Aussi incroyable que cela paraisse, celui qui a mis le pied dans la porte fut le pouvoir le plus réactionnaire : la Justice. »He does not spare Donald Trump: "A man who, presiding over a country with the power of the United States, breaks every rule. For him there is no international treaty, there is no International Law. Not in Brazil: however difficult it may be, the confrontation happens within the structure of the democratic rule of law." And he sums up the preceding years: "We went through four years of a regime with a fascist bent. Bolsonaro destroyed humanist achievements, in health, in education, in the arts. And, right after, a coup attempt, before one of the worst Congresses in history. Incredible as it may seem, the one who put its foot in the door was the most reactionary branch: the Judiciary."

O Judiciário, em regra, é patrimonialista, machista, misógino. Mas foi intensamente provocado, e obrigado a responder. Está cumprindo o seu papel.La Justice, en règle générale, est patrimoniale, machiste, misogyne. Mais elle a été fortement sollicitée, et contrainte de répondre. Elle joue son rôle.The Judiciary, as a rule, is patrimonialist, sexist, misogynistic. But it was intensely provoked, and forced to respond. It is doing its job.

KakayKakayKakay
"Venho para pensar": o advogado no apartamento em frente ao Café de Flore. Foto: Yan Gabriel / THE CROSSING TIME.« Je viens pour penser » : l'avocat dans l'appartement face au Café de Flore. Photo : Yan Gabriel / THE CROSSING TIME."I come here to think": the lawyer in the apartment facing the Café de Flore. Photo: Yan Gabriel / THE CROSSING TIME.
De perfil, diante da janela de Saint-Germain. Foto: Yan Gabriel / THE CROSSING TIME.De profil, devant la fenêtre de Saint-Germain. Photo : Yan Gabriel / THE CROSSING TIME.In profile, before the Saint-Germain window. Photo: Yan Gabriel / THE CROSSING TIME.
2 · O Judiciário2 · La Justice2 · The Judiciary

Elogios, mas também críticas de ética e controleÉloges, mais aussi critiques sur l'éthique et le contrôlePraise, but also criticism on ethics and oversight

Apesar de reconhecer o papel do Judiciário na resistência democrática, Kakay aponta falhas de ética, transparência e controle. Ele lembra que a lei antinepotismo brasileira não alcança familiares de autoridades que atuam na iniciativa privada: na prática, não há impedimento legal para que cônjuges, filhos ou parentes de ministros do STF advoguem em cortes superiores. Essa brecha alimenta questionamentos sobre conflitos de interesse, ainda que não haja ilegalidade. Pesquisas recentes (AtlasIntel, setembro de 2024; Atlas/Bloomberg, agosto de 2025) mostram que entre 50% e 51,3% dos brasileiros dizem não confiar no STF.Tout en reconnaissant le rôle de la Justice dans la résistance démocratique, Kakay pointe des failles d'éthique, de transparence et de contrôle. Il rappelle que la loi anti-népotisme brésilienne n'atteint pas les proches d'autorités exerçant dans le privé : en pratique, rien n'interdit légalement aux conjoints, enfants ou parents de juges du STF (Cour suprême) de plaider devant les cours supérieures. Cette brèche alimente les soupçons de conflits d'intérêts, même en l'absence d'illégalité. Des sondages récents (AtlasIntel, septembre 2024 ; Atlas/Bloomberg, août 2025) montrent qu'entre 50 % et 51,3 % des Brésiliens disent ne pas faire confiance au STF.While recognizing the Judiciary's role in the democratic resistance, Kakay points to failures of ethics, transparency, and oversight. He recalls that Brazil's anti-nepotism law does not reach relatives of authorities who work in the private sector: in practice, there is no legal impediment for spouses, children, or relatives of Supreme Court justices to practice law before the higher courts. That loophole feeds questions about conflicts of interest, even though there is no illegality. Recent polls (AtlasIntel, September 2024; Atlas/Bloomberg, August 2025) show that between 50% and 51.3% of Brazilians say they do not trust the STF, the Supreme Court.

"O Supremo concluiu que não há ilegalidade na advocacia de pessoas ligadas a ministros. Acho que isso precisa ser repensado", diz. "A maioria dos que advogam nos tribunais superiores são profissionais sérios, que não podem ser prejudicados por parentesco. Mas, no caso concreto, o ministro parente não pode julgar." Ele defende ainda um código de conduta, hoje inexistente no Judiciário, e reconhece o dilema do momento: "Discutir isso enquanto o Supremo está sob ataque é arriscado." A conclusão é cautelosa: "Não acredito que a democracia esteja estabilizada. Ainda vivemos um período de insegurança."« La Cour suprême a conclu qu'il n'y a pas d'illégalité à ce que des proches de juges plaident. Je pense qu'il faut le repenser », dit-il. « La plupart de ceux qui plaident devant les cours supérieures sont des professionnels sérieux, qu'on ne peut pénaliser pour un lien de parenté. Mais, dans le cas concret, le juge parent ne peut pas juger. » Il plaide aussi pour un code de conduite, aujourd'hui inexistant dans la Justice, et reconnaît le dilemme du moment : « En débattre pendant que la Cour suprême est attaquée, c'est risqué. » La conclusion est prudente : « Je ne crois pas que la démocratie soit stabilisée. Nous vivons encore une période d'insécurité. »"The Supreme Court concluded there is no illegality in the legal practice of people connected to justices. I think that needs to be rethought," he says. "Most of those who practice before the higher courts are serious professionals, who cannot be penalized for kinship. But, in the concrete case, the related justice cannot sit in judgment." He also argues for a code of conduct, which the Judiciary lacks today, and acknowledges the moment's dilemma: "Discussing this while the Supreme Court is under attack is risky." His conclusion is cautious: "I do not believe democracy is stabilized. We are still living through a period of insecurity."

3 · O foro e a carreira3 · Le for et la carrière3 · Privileged jurisdiction and the career

Do Mensalão à Lava JatoDu Mensalão au Lava JatoFrom the Mensalão to Lava Jato

Em sua trajetória, Kakay já defendeu quatro ex-presidentes, mais de 90 governadores, dezenas de senadores e diversos ministros, de Paulo Maluf a José Sarney, Itamar Franco, José Dirceu e Emílio Odebrecht, o que lhe rendeu a alcunha de "protetor dos poderosos", embora também atue gratuitamente em causas de relevância social. Ele é crítico do foro por prerrogativa de função: "Sou contra o foro. Num país republicano, não deveria existir. Há vinte anos proponho que todos sejam julgados em primeira instância; apenas medidas cautelares deveriam caber a um colegiado. Mas a Constituição existe, e, por isso, sou muito procurado."Dans son parcours, Kakay a défendu quatre ex-présidents, plus de 90 gouverneurs, des dizaines de sénateurs et plusieurs ministres, de Paulo Maluf à José Sarney, Itamar Franco, José Dirceu et Emílio Odebrecht, ce qui lui a valu le surnom de « protecteur des puissants », bien qu'il plaide aussi gratuitement dans des causes d'intérêt social. Il critique le for par privilège de fonction : « Je suis contre. Dans un pays républicain, il ne devrait pas exister. Depuis vingt ans, je propose que tous soient jugés en première instance ; seules les mesures conservatoires devraient revenir à une formation collégiale. Mais la Constitution existe, et c'est pour cela qu'on me sollicite tant. »Over his career, Kakay has defended four former presidents, more than 90 governors, dozens of senators, and several ministers, from Paulo Maluf to José Sarney, Itamar Franco, José Dirceu, and Emílio Odebrecht, which earned him the nickname "protector of the powerful", although he also works pro bono in causes of social relevance. He is a critic of privileged jurisdiction for holders of public office: "I am against it. In a republican country, it should not exist. For twenty years I have proposed that everyone be tried in the first instance; only precautionary measures should fall to a panel. But the Constitution exists, and that is why I am much sought after."

Sobre os grandes casos: "O Mensalão foi a prova de fogo do Supremo, com uma espetacularização e uma politização intensas." Já a Lava Jato, para ele, foi outra coisa: "um projeto de poder criado na chamada 'República de Curitiba', coordenado pelo juiz Sérgio Moro, com apoio financeiro americano e de grandes grupos". Ele acusa a operação de violar o devido processo legal: "Tive mais de 30 clientes na Lava Jato. Houve procurador que admitiu por escrito, no STJ, que a prisão era usada para forçar delação. Isso é um escárnio. Isso é tortura."Sur les grandes affaires : « Le Mensalão a été l'épreuve du feu de la Cour suprême, avec une spectacularisation et une politisation intenses. » Le Lava Jato, pour lui, fut autre chose : « un projet de pouvoir né de la fameuse "République de Curitiba", coordonné par le juge Sérgio Moro, avec un soutien financier américain et de grands groupes ». Il accuse l'opération d'avoir violé le procès équitable : « J'ai eu plus de 30 clients dans le Lava Jato. Un procureur a admis par écrit, devant le STJ, que la détention servait à forcer la délation. C'est une honte. C'est de la torture. »On the great cases: "The Mensalão was the Supreme Court's trial by fire, with intense spectacle and politicization." Lava Jato, for him, was something else: "a power project created in the so-called 'Republic of Curitiba', coordinated by judge Sérgio Moro, with American financial backing and that of large groups". He accuses the operation of violating due process: "I had more than 30 clients in Lava Jato. There was a prosecutor who admitted in writing, before the STJ, that imprisonment was used to force plea deals. That is a mockery. That is torture."

O encontro em Paris: a equipe da THE CROSSING TIME com o advogado. Foto: Yan Gabriel / THE CROSSING TIME.La rencontre à Paris : l'équipe de THE CROSSING TIME avec l'avocat. Photo : Yan Gabriel / THE CROSSING TIME.The meeting in Paris: the THE CROSSING TIME team with the lawyer. Photo: Yan Gabriel / THE CROSSING TIME.
4 · A prisão dos poderosos4 · La prison des puissants4 · The imprisonment of the powerful

Sarkozy, o sistema prisional e BolsonaroSarkozy, le système carcéral et BolsonaroSarkozy, the prison system, and Bolsonaro

Kakay vê mudanças no velho axioma de que ricos e poderosos não vão para a cadeia. "Posso fazer uma lista longa de poderosos presos nos últimos anos. Aqui na França, tivemos Nicolas Sarkozy preso 12 dias, e a prisão aqui é muito melhor do que no Brasil. No Brasil, o sistema penitenciário é de uma miserabilidade inacreditável." Ele ironiza reações à prisão de Bolsonaro: "Acho graça quando vejo fascistas, que sempre criticaram quem defende que o preso perde a liberdade mas não os demais direitos. Talvez essa prisão sirva para a extrema direita começar a discutir o sistema miserável dos presídios brasileiros." E critica a família do ex-presidente: "Vemos, de forma vergonhosa, o questionamento de uma prisão absolutamente regular, decretada pelo Supremo, com direito à ampla defesa."Kakay voit bouger le vieil axiome selon lequel les riches et les puissants ne vont pas en prison. « Je peux dresser une longue liste de puissants incarcérés ces dernières années. Ici, en France, il y a eu Nicolas Sarkozy, 12 jours en prison, et la prison ici est bien meilleure qu'au Brésil. Au Brésil, le système pénitentiaire est d'une misère inimaginable. » Il ironise sur les réactions à l'incarcération de Bolsonaro : « Cela m'amuse de voir des fascistes qui ont toujours critiqué ceux qui défendent l'idée que le détenu perd la liberté, mais pas les autres droits. Peut-être cette prison servira-t-elle à ce que l'extrême droite commence à discuter du système misérable des prisons brésiliennes. » Et il critique la famille de l'ex-président : « On voit, de façon honteuse, la contestation d'une incarcération parfaitement régulière, décrétée par la Cour suprême, avec droit à une défense pleine et entière. »Kakay sees changes in the old axiom that the rich and powerful do not go to jail. "I can make a long list of powerful people imprisoned in recent years. Here in France, we had Nicolas Sarkozy imprisoned for 12 days, and prison here is far better than in Brazil. In Brazil, the penitentiary system is of an unbelievable wretchedness." He is wry about reactions to Bolsonaro's imprisonment: "It amuses me to see fascists, who always criticized those who argue that a prisoner loses freedom but not his other rights. Perhaps this imprisonment will help the far right start discussing the wretched state of Brazilian prisons." And he criticizes the former president's family: "We see, shamefully, the questioning of an absolutely regular imprisonment, ordered by the Supreme Court, with full right of defense."

5 · As eleições5 · Les élections5 · The elections

O palpite para outubroLe pronostic pour octobreThe bet for October

Sobre a eleição de outubro, o advogado aposta: "Acho que o Lula ganha no primeiro turno. Sempre disse que o Tarcísio de Freitas não seria candidato contra o Lula. O Flávio Bolsonaro é um candidato menor. A grande discussão vai ser o Senado Federal." Ele lamenta "a falta de renovação na política brasileira" e alerta para os extremos: "Os extremistas, sobretudo da direita, vêm com um discurso da não política. Dizer que não quer política é uma forma de fazer política, e afasta as pessoas que querem trabalhar pelo bem comum. É uma pobreza grave que os países apresentam hoje."Sur l'élection d'octobre, l'avocat parie : « Je pense que Lula l'emporte au premier tour. J'ai toujours dit que Tarcísio de Freitas ne serait pas candidat contre Lula. Flávio Bolsonaro est un candidat mineur. Le grand enjeu, ce sera le Sénat fédéral. » Il déplore « le manque de renouvellement de la politique brésilienne » et met en garde contre les extrêmes : « Les extrémistes, surtout à droite, arrivent avec un discours de l'anti-politique. Dire qu'on ne veut pas de politique est une façon d'en faire, et cela éloigne ceux qui veulent œuvrer pour le bien commun. C'est une grave pauvreté que connaissent les pays aujourd'hui. »On the October election, the lawyer wagers: "I think Lula wins in the first round. I always said Tarcísio de Freitas would not run against Lula. Flávio Bolsonaro is a lesser candidate. The big fight will be the Federal Senate." He laments "the lack of renewal in Brazilian politics" and warns about the extremes: "The extremists, above all on the right, come with a discourse of non-politics. Saying you do not want politics is a way of doing politics, and it drives away the people who want to work for the common good. It is a grave poverty that countries display today."

Da janela de Saint-Germain, com o Flore lá embaixo, Kakay encerra o encontro entre um gole de café e a certeza de quem passou a vida nos tribunais: a democracia, como Paris, é um lugar que só continua de pé se alguém insistir em cuidar dele todos os dias.Depuis la fenêtre de Saint-Germain, le Flore en contrebas, Kakay clôt la rencontre entre une gorgée de café et la conviction de qui a passé sa vie dans les tribunaux : la démocratie, comme Paris, est un lieu qui ne tient debout que si quelqu'un s'obstine à en prendre soin chaque jour.From the Saint-Germain window, with the Flore down below, Kakay closes the meeting between a sip of coffee and the certainty of someone who has spent a lifetime in the courts: democracy, like Paris, is a place that only stays standing if someone insists on caring for it every day.

Nota Editorial · VerificaçãoNote éditoriale · VérificationEditorial Note · Verification

Entrevista exclusiva concedida por Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay) à THE CROSSING TIME, em Paris, por Maria Paula Carvalho. As opiniões e avaliações expressas são do entrevistado. Dados de opinião citados: AtlasIntel (set./2024) e Atlas/Bloomberg (ago./2025), sobre a confiança no STF. Fotografias: Yan Gabriel / THE CROSSING TIME · Paris, reprodução mediante crédito.Entretien exclusif accordé par Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay) à THE CROSSING TIME, à Paris, par Maria Paula Carvalho. Les opinions et appréciations exprimées sont celles de l'interviewé. Données d'opinion citées : AtlasIntel (sept. 2024) et Atlas/Bloomberg (août 2025), sur la confiance dans le STF. Photographies : Yan Gabriel / THE CROSSING TIME · Paris, reproduction avec crédit.Exclusive interview given by Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay) to THE CROSSING TIME, in Paris, by Maria Paula Carvalho. The opinions and assessments expressed are the interviewee's. Opinion data cited: AtlasIntel (Sept./2024) and Atlas/Bloomberg (Aug./2025), on trust in the STF. Photographs: Yan Gabriel / THE CROSSING TIME · Paris, reproduction with credit only.

Créditos · THE CROSSING TIMECrédits · THE CROSSING TIMECredits · THE CROSSING TIME

As fotografias desta entrevista são de autoria de Yan Gabriel / THE CROSSING TIME, produzidas em Paris. Reprodução somente com crédito à THE CROSSING TIME.Les photographies de cet entretien sont l'œuvre de Yan Gabriel / THE CROSSING TIME, réalisées à Paris. Reproduction uniquement avec crédit à THE CROSSING TIME.The photographs in this interview are by Yan Gabriel / THE CROSSING TIME, produced in Paris. Reproduction only with credit to THE CROSSING TIME.

MOBILIDADE  ◆  POUVOIR  ◆  TRANSFORMATION
THE CROSSING TIME · by Porta Voz do Imigrante
Geopolítica · Direito · Economia · Sociedade · Mobilidade Global
thecrossingtime.com · WhatsApp +33 6 69 99 72 96 · Genebra · Paris · São Paulo